Keren Mi Kang
Keren Mi Kang é uma artista que molda mais do que apenas a cerâmica — ela esculpe o caminho para novos sonhos. Formada em artes visuais e mergulhada no calor das altas temperaturas, Keren aprendeu desde cedo o valor da persistência e da delicadeza, virtudes que a cerâmica lhe ensinou aos 12 anos e que desde então são o alicerce de seu trabalho.
Aos 22, sua paixão pela arte tornou-se também um ofício como técnica em Belas Artes, onde uniu diversas linguagens artísticas para enriquecer o próprio processo criativo e o de ensinar. Inspirada pela história de seu pai, pioneiro como o primeiro dentista coreano em São Paulo, Keren encontrou em sua arte um propósito: tornar-se um exemplo para a comunidade coreana e para todos que, como ela, buscam inspiração para trilhar o próprio caminho.
Seu pai abriu portas onde antes havia silêncio; ela, por sua vez, sonha abrir os olhos e os corações de uma nova geração de ceramistas, que vejam além das profissões convencionais e encontrem a coragem de seguir o que verdadeiramente amam.
Entre camadas de argila e calor, Keren molda não só suas peças, mas também um legado. Sua visão é de uma vida plena, onde arte e felicidade fluem juntas — onde residências artísticas ao redor do mundo e o sonho de uma família feliz se entrelaçam, desenhando uma trajetória que ela espera inspirar todos a seguir: a de fazer o que se ama, com as próprias mãos e o próprio coração.
O Florescer da Perserverança
Inspirada pela arquitetura tradicional coreana e pela flor nacional da Coreia do Sul, o vaso Entre portal frágil, o florescer da perseverança é uma obra que atravessa fronteiras entre o físico e o simbólico. O vaso é construído em duas camadas complementares: a estrutura externa, feita com massa Vesúvio e recortes delicados, remete às portas dos Hanok, casas coreanas cujas entradas não se impõem, mas deslizam em silêncio, permitindo a passagem suave da luz, do vento e do tempo.
A parte interna guarda um jardim de cerâmica. Nele, flores de Mugunghwa emergem do
barro, esculpidas e desenhadas à mão, em um gesto de conexão profunda entre memória, matéria e cultura. A flor, símbolo de resistência e eternidade, floresce nesse interior como
um lembrete constante de que mesmo o mais frágil dos elementos pode abrigar uma força imensurável.
Essa criação é, ao mesmo tempo, uma morada e um gesto. Uma porta que protege sem
impedir, que convida sem exigir. Uma peça onde delicadeza e força não se opõem, mas
coexistem. Como uma metáfora visual da resiliência humana, ela convida cada observador a reconhecer suas próprias flores internas, mesmo nos tempos mais áridos. O vaso transforma-se, assim, em abrigo simbólico para aquilo que permanece: a flor da
perseverança, que insiste em florescer – silenciosa, mas constante – dentro de cada um de nós.

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