Gabriela Betto
Desde a infância, Gabriela aprendeu que a fotografia não é apenas o registro de um instante, mas a construção de um olhar. Foi entre flores e paisagens, guiada pelo afeto da família, que ela começou a capturar o mundo com delicadeza e intuição.
Seu caminho foi traçado entre a ciência e a arte, entre a precisão da biologia e a poesia das imagens. Mas a verdade sempre esteve nas entrelinhas das suas fotografias: um amor profundo pelo instante, pela luz que dança sobre a natureza e pela atmosfera única que só uma imagem pode guardar.
A fotografia de Gabriela não é apenas um reflexo da realidade, mas um convite à contemplação. Seu olhar repousa sobre a Serra da Mantiqueira, desliza pelas matas de Águas da Prata e se aventura pelo mar de Ubatuba, traduzindo em imagens a essência de cada paisagem. O vento nas folhas, o brilho da água, a textura das rochas — tudo se transforma em fine art, em um pedaço de mundo que carrega a poesia do silêncio.
Camadas da Vida
O Pau Ferro, árvore nativa da Mata Atlântica, é uma joia da natureza — uma madeira de lei que encanta pelas suas nuances marmorizadas, onde tons de cinza, verde e bege se entrelaçam em sua casca manchada. Observar o Pau Ferro é testemunhar um ritual de renovação contínua: a árvore troca sua “pele” ao soltar a casca, revelando camadas internas que se reinventam a cada instante.
Essa constante transformação despertou em mim o desejo de capturar não apenas sua forma externa, mas também sua essência íntima. Através da fotografia, trago à luz o movimento sutil dessa troca, como se a árvore nos contasse sua história de resistência, ciclo e renascimento.
A moldura da obra, feita de madeira natural, se torna uma extensão desse diálogo,
revelando o que está oculto e oferecendo um convite para enxergar além da superfície.
É uma homenagem à vida em constante metamorfose, à beleza que nasce do desgaste
e ao tempo que transforma.

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