Maria Lúcia
Maria Lúcia de Carvalho, mais conhecida como Miucha, tem nome que carrega histórias e raízes, mas que ganha leveza e afeto no apelido que reflete sua essência. Miucha é mais que uma artista, é uma contadora de histórias através de cores e formas.
Formada em Administração, ela dedicou anos ao mundo dos números e planejamentos. Mas foi em 2019, ao se aventurar no Design de Interiores, que algo mudou. Entre desenhos feitos à mão e pinturas com marcadores, a arte tomou conta de sua vida, revelando uma paixão que sempre esteve lá, apenas esperando o momento certo para florescer.
Tudo começou com um quadro. Uma peça única, criada para uma cliente, que abriu portas para um novo universo. Desde então, Miucha nunca mais parou. Sua arte transformou-se em extensão de sua alma e cada obra que cria é um reflexo de sua sensibilidade e amor pela vida.
Cada traço que Miucha cria é uma celebração da sua trajetória, uma jornada onde a paixão pela arte é combustível e a busca por harmonia é o destino.
Aquecimento
Aquecimento é uma tapeçaria que se manifesta como grito e silêncio ao mesmo tempo, uma paisagem têxtil que carrega em seus fios a urgência de um mundo em transformação. Tecida com lã natural, lã sintética, lã corriedale e barbante, a obra mistura tons de off-white, beges e verdes em texturas densas, criando uma composição visual e sensorial que evoca
tanto a beleza quanto a fragilidade da natureza.
Através das técnicas de tufting e latch and hook, a artista constrói uma superfície rica,
quase orgânica, que remete a terrenos afetados pelo aquecimento global. As cores, suaves à primeira vista, guardam sob si uma inquietação latente, como se o calor estivesse prestes a romper a superfície calma. O verde resiste entre os tons neutros, símbolo da vida ainda persistente, mas ameaçada.
Não se trata de uma narrativa óbvia. Aquecimento é propositalmente aberta: a obra rejeita explicações e convida o observador a se colocar diante dela com a própria história, sensibilidade e consciência ambiental. Ela não impõe uma leitura, propõe um espaço para sentir. Nascida do incômodo, da revolta silenciosa diante da destruição da natureza e da omissão dos poderes que deveriam protegê-la, esta tapeçaria é, sobretudo, um gesto de resistência.
Um lembrete tátil de que há beleza no mundo, mas que ela precisa ser defendida.

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